Ruínas

Fazemos das recordações ruínas de nós...

Monday, August 15, 2005

09.00

O tempo passou? Ainda sinto o badalar das 08.00..

Friday, August 12, 2005

08.00

O meu sexo ainda transpira e transborda recordações de ti.
O meu corpo ainda pede bafos de humidade, suores de calamidades, unhas de perdição.
O teu sexo não me larga, não se desprende dos perfeitos e etéreos patamares que materializaram nos poros da minha pele.
O fogo tarda em cessar...
Os líquidos em evaporar...
A fome em morrer...
Os orgasmos em dissipar...
Sabes que o corpo é só a parte que grita, a parte que sente está cravada no meu sexo e no teu...
As tuas pernas que tantas vezes percorri saberão o caminho de volta?
Os teus seios saberão que a ambrósia que despertam mora somente em mim?

Voltarei mais tarde...

Tuesday, August 09, 2005

07.00

A música...

Bésame, bésame mucho como si fuera esta noche la última vez ...
bésame mucho que tengo miedo a perderte perderte después...

Wednesday, August 03, 2005

06.00

A paz foge quando eu teimo em voltar...
Talvez a lama que ainda trasnporto em mim impeça que se cicatrize utopias de futuros alternativos...

Saturday, July 30, 2005

05.00

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Alberto Caeiro - Tabacaria

Tuesday, July 26, 2005

04.00

Este espaço onde as minhas palavras vigoram existe somente porque quando foste o ar não consegeguiu criar fonéticas e semânticas que tanto ansiava gritar...

Tuesday, July 19, 2005

03.00

O chão perdeu-se debaixo de mim... os atacadores fazem o favor de não se manterem intactos, nem isso aprendi contigo... a estabilidade de saber estar...